As heranças ancestrais entre os povos indígenas e os descendentes africanos brasileiros guardam muitas semelhanças. Ambos os povos que deram origem aos brasileiros foram banidos de suas terras, saqueados em suas culturas, desvalorizados quanto as suas vozes-línguas, feridos quanto as suas crenças religiosas e estigmatizados quanto as suas identidades, para que assim servissem aos interesses do colonizador. No entanto, deve-se garantir que os fatos que demonstram que indígenas e negros não foram passivos, mas partícipes, lutadores e sujeitos constituintes do território brasileiro, sejam incorporados à nossa história, e esse é um dos propósitos da artista Vera Ifaseyí. 
Nascida no Rio de Janeiro, a artista chegou a Roraima em 2001 e encantou-se pelo estado. Na sua passagem pela enfermagem conheceu os Yanomami e durante dois anos viveu entre eles. Sempre acompanhada de papel e caneta, registrou o cotidiano da comunidade produzindo imagens de um povo que, assim como seus descendentes afro-brasileiros, insistem em resistir e se renovar. 
Agora, depois de quatorze anos do trabalho realizado em defesa da saúde Yanomami, o Sesc Roraima apresenta Pegadas Atemporais, exposição de Vera Ifaseyí, cujas obras são frutos dessa experiência intensa, que une estética com identificação, vínculo, cuidado e afeto.
 A exposição é composta por ilustrações, esculturas, instalações e obras híbridas que narram o olhar e o contato de Vera com a comunidade como uma forma de contribuir para manutenção das crenças, da cultura e das manifestações do povo brasileiro que acontecem no nosso país. Ao inaugurar a mostra, o Sesc Roraima oferece ao público uma oportunidade de encontro com a floresta e pretende colaborar para a criação de outros imaginários acerca dos Yanomami, para reconstrução da história brasileira, da arte e da estética, rejeitando a folclorização, a exotização, que estão impregnadas no imaginário social.